Seara de Oxalá iniciou seus trabalhos entre os anos de 1988 e 1990 quando seu fundador, Professor Orion (Orion de Xangô), veio do Rio de Janeiro para morar em Fortaleza. No Rio, foi consagrado Babalorixá por Mãe Elza de Oxum, Ialorixá do Terreiro Maria da Conceição do Mar (Penha – RJ), na Umbanda de Almas e Angola.

Mãe Elza, Professor Orion, Pai Amarílio

À época, Prof. Orion inaugurou o terreiro como Seara de Oxalá – Casa de Xangô e desenvolveu uma umbanda familiar, um culto voltado mais para amigos e pessoas do bairro que o conheciam e gostavam do trabalho desenvolvido ao lado das suas entidades: Pai Congo do Mar, Caboclo Ubirajara e Exu Tranca Ruas.

Professor Orion esteve à frente da Seara por mais de 30 anos praticando a caridade e ajudando as pessoas que o procuravam. Faleceu em julho de 2016, deixando livros escritos, participações na rádio e tv, e o exemplo de uma vida dedicada a Umbanda e ao sacerdócio.

Seara de Oxalá – Aldeia 7 Flechas

Após sua morte, seu filho carnal Nivartan, que já desenvolvia com ele há 3 anos, recebeu o chamado de dar continuidade ao legado do seu Pai e, principalmente, construir o seu. Recebeu do Caboclo das 7 Flechas o reconhecimento como Sacerdote de Umbanda Semente, a Umbanda hoje praticada na Seara de Oxalá e é quem está afrente do terreiro guiado pelo Caboclo das 7 Flechas, Pai Cipriano de Angola e Tranca Ruas das 7 Encruzilhadas.

Aos poucos, o terreiro foi se estruturando e a força coletiva o reergueu, tendo sua reabertura em janeiro de 2022, sobe o nome Seara de Oxalá – Aldeia 7 Flechas.

A Umbanda Semente da Seara de Oxalá

Antes de tudo, não temos a pretensão de criar uma nova Umbanda, muito menos reinventá-la tal qual o descobrimento da roda. Trata-se de uma leitura, vista a necessidade de definir que Umbanda, afinal, prega a Seara de Oxalá.

Segundo meu irmão/primo de santo, neto de Mãe Elza, que por sua vez é Mãe de Santo do meu Pai e fundador da Seara de Oxalá, o Professor Orion (Orion de Xangô), nossa raiz é africana ou descendente de africanos chamada de Tia Xica do Vavá > Dona Mocinha de Oxum > Tata Cain’água > Mãe Maria Coral > Mãe Elza > Prof. Orion > Nivartan.

Quando Prof. Orion voltou do RJ para Fortaleza como Babalorixá de Umbanda, adaptou seus ritos de acordo com a orientação do seu Guia e com a profunda bagagem esotérica e mística que carregava nos seus 40 e poucos anos de vida. Com sua partida para o Orum, conheci outras práticas que, por sua vez, já eram distintas as do professor Orion e Mãe Elza. Embora tenha traços e características dessas raízes e o que acredito ser a essência delas, a Umbanda que pratico não é igual a de Mãe Elza, nem de Professor Orion, nem dos terreiros que me nutri, mas a Umbanda conduzida pelo Caboclo das 7 Flechas, por Pai Cipriano de Angola e por Tranca Ruas das 7 Encruzilhadas.

Não nos entendemos como algo imutável, dogmático, raízes que fincam e mantém a árvore presa ao chão, entendemo-nos como sementes que podem ser levadas pelo vento, pelos pássaros, colhidas, servidas de alimento, armazenadas por décadas até que seja possível encontrar condições mínimas de nascimento da vida, trazendo consigo toda sua ancestralidade. 

A Seara de Oxalá é uma semente que sobreviveu. É formada das circunstâncias que a tornaram possível, por mãos invisíveis que souberam como germiná-la. E como uma semente de dendê jamais dará uma macieira e vice-versa, somos essencialmente a Umbanda de nossos ancestrais crescendo com o que nos nutre.

A Umbanda do Caboclo das 7 Flechas é a Umbanda Semente, espalhada aos quatro ventos enquanto mensagem, plantada no coração de cada assistente, cada filho de santo, sempre sendo Umbanda, e nunca sendo a mesma Umbanda para sempre.